O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter chegado a um acordo com o homólogo russo, Vladimir Putin, para viabilizar o fornecimento de milhões de toneladas de gasóleo russo aos mercados norte-americano e internacional. O anúncio foi divulgado na sexta-feira através da rede social Truth Social, na sequência de uma conversa telefónica entre os dois líderes.

De acordo com os detalhes avançados por Donald Trump, a Federação Russa deverá disponibilizar de imediato mais de 300 mil toneladas de gasóleo. Numa segunda fase, prevista para novembro, serão enviadas mais 500 mil toneladas, seguindo-se um lote adicional de um milhão de toneladas. O governante norte-americano referiu ainda a possibilidade de serem entregues mais três milhões de toneladas, caso as refinarias russas disponham de capacidade para o efeito, elevando o volume potencial total para cerca de 4,8 milhões de toneladas.

Licença do Departamento do Tesouro viabiliza operações

Em articulação com a declaração presidencial, o Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos (OFAC) publicou a Licença Geral n.º 135. O documento formal autoriza operações financeiras e logísticas estritamente associadas à venda, entrega, descarga e importação de gasóleo com origem na Rússia.

Este instrumento representa uma alteração prática nas restrições comerciais norte-americanas em vigor desde a invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022, quando os Estados Unidos baniram a entrada de petróleo e produtos refinados russos. Contudo, a autorização administrativa centra-se em transações específicas de gasóleo e não consubstancia um levantamento integral das sanções económicas dirigidas a Moscovo.

Ceticismo do mercado e limitações no terreno

Embora Donald Trump apresente a iniciativa como uma resposta direta para travar a escalada dos custos de energia, analistas de mercado contactados por agências internacionais como a Associated Press e a Reuters manifestaram reservas quanto à eficácia da medida. Especialistas alertam que o volume previsto não garante uma redução expressiva ou sustentada dos preços na bomba.

Entre os principais obstáculos apontados pelos peritos constam os constrangimentos operacionais das próprias refinarias russas, recentemente afetadas por incidentes operacionais e medidas internas de restrição às exportações. Paralelamente, analistas advertem para a hipótese de os carregamentos destinados aos Estados Unidos resultarem apenas do desvio de cargas previamente atribuídas a outros países, o que impediria um crescimento real da oferta líquida à escala global.

Reações diplomáticas e contestação no Senado

O anúncio desencadeou reações imediatas no plano político. A Presidência da Ucrânia condenou veementemente a flexibilização do embargo comercial, alertando que a abertura das rotas financeiras do gasóleo permite canalizar recursos económicos diretamente para o esforço de guerra do Kremlin.

Em Washington, elementos do Partido Democrata no Senado norte-americano criticaram a decisão unilateral da administração, sublinhando o risco de fragilizar a frente coordenada de sanções mantida com aliados internacionais. Países europeus e o Reino Unido continuam, até à data, a aplicar restrições severas e limites de preços ao combustível refinado russo.